Condição

Pé diabético

Diabetes pode reduzir a sensibilidade e a circulação nos pés. Isso faz com que problemas pequenos passem despercebidos por mais tempo, e é por isso que a checagem diária importa tanto.

Atualizado em
Ilustração 3D de um pé com destaque nos nervos e vasos da região plantar

Resumo rápido

  • Pé diabético é o conjunto de alterações que o diabetes pode causar nos nervos e na circulação dos pés.
  • A perda de sensibilidade é o ponto central: sem dor, uma lesão pequena pode passar dias sem ser notada.
  • Olhar os pés todos os dias é a medida mais simples e a de maior impacto.
  • Qualquer ferida, mesmo pequena, é motivo para procurar atendimento e não para tratar em casa.
  • Consulta periódica com exame dos pés faz parte do acompanhamento do diabetes, mesmo sem sintomas.

O que o termo quer dizer

Pé diabético não é uma doença única. É o nome que se dá ao conjunto de alterações que o diabetes pode causar nos pés ao longo do tempo, principalmente nos nervos e na circulação, e às consequências dessas alterações.

Nem toda pessoa com diabetes desenvolve essas alterações. Muitas convivem com a doença por décadas sem qualquer complicação nos pés. O que aumenta o risco é o tempo de diabetes, o controle da glicemia ao longo dos anos, o tabagismo e a presença de problemas de circulação. O acompanhamento periódico serve exatamente para identificar cedo quem está em risco maior.

A intenção desta página é explicar por que os pés recebem essa atenção especial e o que merece contato com um serviço de saúde. Ela não substitui, em nenhum momento, a avaliação de quem cuida de você.

Por que a sensibilidade é o ponto central

A dor é um sistema de aviso. Quando o sapato aperta, quando a areia está quente demais, quando surge uma bolha, a dor interrompe o que você está fazendo e você resolve o problema em minutos, na maioria das vezes sem pensar.

O diabetes pode afetar os nervos periféricos, e uma das consequências é a redução dessa sensibilidade nos pés. Quando isso acontece, o aviso não chega. O sapato apertado continua apertando o dia inteiro. A pedrinha dentro do calçado fica onde está. A bolha se forma e passa despercebida.

É por isso que a orientação central não é sobre tratamento, e sim sobre observação. Se o aviso automático ficou mais fraco, a checagem passa a ser feita com os olhos, de propósito, todos os dias.

A perda de sensibilidade costuma ser gradual e indolor, o que dificulta perceber sozinho. Alguns sinais aparecem antes: formigamento, dormência, queimação nos pés, com frequência mais incômodos à noite. As páginas sobre pé dormente e pé formigando descrevem esses sintomas em detalhe. Existe um teste simples, feito em consulta com um filamento aplicado em pontos definidos da sola, que avalia isso de forma objetiva. Vale pedir.

A circulação, o segundo fator

O diabetes também está associado a alterações nos vasos que levam sangue para as pernas e os pés. Menos fluxo significa menos oxigênio e menos recursos disponíveis para reparar tecidos, o que torna a cicatrização mais lenta.

Quando os dois fatores se somam, sensibilidade reduzida e circulação reduzida, uma lesão pequena pode demorar mais para ser notada e mais para fechar.

Sinais que apontam para circulação comprometida: pé frio, pálido ou arroxeado, pele que ficou fina e brilhante, pelos que rarearam nas pernas, dor na panturrilha que aparece ao caminhar uma certa distância e melhora ao parar, ou dor nos pés em repouso, principalmente à noite. Qualquer um deles merece ser levado a uma consulta.

Como as lesões costumam começar

Vale conhecer as origens mais comuns, porque quase todas são evitáveis e nenhuma delas é dramática no começo.

Um calçado novo, ou um que sempre serviu mas apertou naquele dia. Uma costura interna que se soltou. Uma pedrinha, uma moeda ou um pedaço de palmilha dobrado dentro do sapato. Andar descalço em casa e encostar em algo. Água quente demais no banho ou nos pés. Uma bolsa de água quente na cama. Um corte de unha que aprofundou o canto. Uma tentativa de tirar calo em casa, com lâmina ou com produto de farmácia. Uma micose entre os dedos que ficou meses sem tratamento e abriu a pele.

Nenhuma dessas situações é incomum. A diferença é que, com a sensibilidade preservada, você percebe em minutos e resolve. Com a sensibilidade reduzida, o mesmo evento pode passar um dia inteiro sem ser notado.

A área com calo espesso merece atenção especial. Ela indica um ponto onde a pressão se concentra a cada passo, e é onde as lesões costumam começar em pés com pouca sensibilidade. Calo em pé com diabetes não é assunto de estética nem de cuidado caseiro: é um sinal de que a distribuição de carga naquele pé merece ser avaliada.

Cuidados diários

Estes são cuidados de rotina, e não tratamento. A ideia é reduzir a chance de uma lesão aparecer e aumentar a chance de você notar cedo quando aparecer.

Olhe os pés todos os dias, em horário fixo. Depois do banho funciona bem. Veja a sola, os calcanhares e entre os dedos. Se tiver dificuldade de enxergar ou de alcançar, use um espelho no chão ou peça ajuda a alguém da casa.

Lave com água morna e seque bem, principalmente entre os dedos, onde a umidade favorece micoses. Teste a temperatura da água com a mão ou com o cotovelo, nunca com o pé.

Hidrate a pele seca das solas e dos calcanhares, evitando aplicar entre os dedos. Pele muito ressecada racha, e rachadura é porta de entrada; as páginas sobre pé ressecado e calcanhar rachado tratam disso.

Corte as unhas retas, sem aprofundar os cantos, e lixe as pontas. Se tiver dificuldade, peça ajuda profissional. A página sobre unha encravada explica por que os cantos importam.

Não ande descalço, nem dentro de casa nem na praia. Passe a mão dentro do calçado antes de vestir, procurando costura solta, objeto esquecido ou palmilha dobrada. Prefira calçado que não aperte em ponto nenhum e que não deixe marcas na pele quando você tira. Use meias que não apertem a perna.

Evite bolsa de água quente, aquecedor e escalda-pés. Sem a sensibilidade avisando, queimaduras acontecem com temperaturas que pareciam confortáveis.

Não use lâmina, lixa agressiva ou produtos com ácido para tratar calos. Esse cuidado deve ser feito por um profissional habilitado.

Não deixe de tratar micoses de pele e de unha, porque elas alteram a barreira que protege o pé. As páginas sobre pé de atleta e micose de unha explicam o quadro, e o tratamento deve ser orientado por um profissional.

Quando procurar atendimento

Esta é a parte mais importante da página.

Procure atendimento diante de qualquer ferida, bolha, corte, rachadura ou área de pele aberta no pé, mesmo pequena, mesmo sem dor, mesmo que pareça estar melhorando. Essa é a orientação das principais diretrizes, e ela existe porque chegar cedo muda o resultado.

Procure atendimento sem esperar se houver vermelhidão que se espalha, inchaço, calor local, secreção, cheiro diferente, febre ou mal-estar. Também se um pé ficar quente, inchado e avermelhado sem ferida que explique, principalmente em quem já tem pouca sensibilidade.

Procure avaliação se notar mudança na cor ou na temperatura do pé, dor na panturrilha ao caminhar, dor nos pés em repouso, ou se perceber que a sensibilidade mudou.

E mantenha o exame periódico dos pés no seu acompanhamento, mesmo quando está tudo bem. Ele é feito justamente para o período em que não há sintoma nenhum.

Uma observação sobre esta página

Não indicamos produtos, marcas, palmilhas ou medicamentos aqui, e isso é deliberado. Em pés com sensibilidade ou circulação reduzidas, decisões sobre calçado, órtese, curativo e tratamento dependem de um exame que só pode ser feito presencialmente, por quem consegue avaliar o seu pé.

Se você tem diabetes e chegou aqui procurando o que fazer com algo que apareceu no seu pé, a resposta desta página é uma só: leve isso a um profissional de saúde, e de preferência esta semana.

Quando procurar atendimento

Estes sinais pedem avaliação presencial — não espere passar sozinho:

  • Qualquer ferida, bolha, corte ou rachadura no pé, mesmo pequena e mesmo sem dor.
  • Vermelhidão que se espalha, inchaço, calor local, secreção ou cheiro diferente.
  • Febre ou mal-estar acompanhando qualquer alteração no pé.
  • Um pé quente, inchado e avermelhado sem ferida aparente, principalmente se você tem pouca sensibilidade.
  • Pé frio, pálido ou arroxeado, dor na panturrilha ao caminhar ou dor em repouso à noite.

Perguntas frequentes

Todo mundo com diabetes vai ter problema nos pés?

Não. Muitas pessoas convivem com diabetes por décadas sem desenvolver complicações nos pés. O risco aumenta com o tempo de doença, com o controle glicêmico ao longo dos anos e com fatores como tabagismo e problemas de circulação. É por isso que o acompanhamento regular existe: para identificar cedo quem está em risco maior.

Como sei se perdi sensibilidade?

Nem sempre dá para perceber sozinho, porque a perda costuma ser gradual e indolor. Alguns sinais são formigamento, dormência ou queimação nos pés, principalmente à noite, e machucados que você descobre depois de já terem acontecido. O teste é simples e feito em consulta, com um filamento que testa a sensibilidade em pontos definidos da sola. Peça esse exame no seu acompanhamento.

Posso cortar meus calos ou usar calicida?

Não. Lâmina, lixa agressiva e produtos com ácido são desaconselhados em pés com diabetes, porque podem abrir uma lesão que demora a cicatrizar e passa despercebida. Calos em pés com diabetes devem ser cuidados por um profissional habilitado, que também vai avaliar por que aquela pressão está se concentrando ali.

Uma ferida pequena pode esperar alguns dias?

Não é o recomendado. Em pés com sensibilidade ou circulação reduzidas, lesões pequenas podem evoluir mais rápido do que o esperado e sem dor que avise. A orientação das principais diretrizes é procurar atendimento diante de qualquer lesão nova, ainda que pareça banal. Chegar cedo muda o desfecho.

Com que frequência devo examinar meus pés?

Todos os dias, em um momento fixo da rotina, como depois do banho. Olhe a sola, os calcanhares e entre os dedos, usando um espelho no chão ou pedindo ajuda a alguém se tiver dificuldade de enxergar ou alcançar. Além disso, o exame dos pés por um profissional faz parte do acompanhamento periódico do diabetes.

O que é o pé de Charcot?

É uma condição menos comum em que os ossos e as articulações do pé se enfraquecem em pessoas com perda importante de sensibilidade, e podem mudar de posição sem que haja dor proporcional. Costuma se apresentar como um pé quente, inchado e avermelhado, sem ferida que explique. É considerada uma situação de atendimento sem espera.

Referências

  1. Diabetes and your feet NHS
  2. Diabetic foot care OrthoInfo — American Academy of Orthopaedic Surgeons
  3. Diabetic Foot Ulcers and Infections MSD Manuals
  4. Diabetes: cuidados com os pés Sociedade Brasileira de Diabetes

Este é um tema sensível. O conteúdo desta página é educativo e não serve para diagnóstico ou tratamento por conta própria. Procure um profissional de saúde para avaliar o seu caso.

Continue por aqui