Expressão guarda-chuva para o desgaste que o tempo deixa numa articulação, num tendão ou na cartilagem. Aparece em laudo de quem corre maratona e de quem nunca sentiu nada no pé. O radiologista está descrevendo a textura e o formato do tecido, não a intensidade da sua dor.
Glossário de laudo: o que os termos do exame do pé querem dizer
Você recebeu o exame e o laudo veio cheio de palavras que ninguém explicou. Este glossário traduz os termos mais comuns de raio-X, ultrassom e ressonância do pé e do tornozelo. Antes de tudo: achado de imagem não é diagnóstico. Boa parte do que assusta no papel aparece também em exames de gente que não sente nada.
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Estudos de imagem em pessoas sem nenhuma queixa encontram esporão, artrose, degeneração de tendão e edema ósseo com uma frequência que costuma surpreender. O caminho contrário também acontece: dor forte com exame impecável. O laudo é uma descrição do que apareceu naquele corte, naquele dia. Quem transforma isso em diagnóstico é o profissional que te examinou.
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Nenhum termo com essa palavra. Tente uma parte só (por exemplo tendin em vez de tendinopatia), ou volte o filtro de exame para Todos. Se o termo do seu laudo não estiver aqui, ele pode aparecer nas páginas de raio-X, ultrassom e ressonância.
Medida em graus entre o primeiro e o segundo metatarso, tirada no raio-X com o pé apoiado no chão. Serve para dimensionar o desvio do dedão em quem tem joanete. Ângulo maior não quer dizer automaticamente mais dor: existe joanete bem torto que não incomoda e joanete discreto que arde no fim do dia.
O nome que a imagem dá ao conjunto de sinais de desgaste articular: cartilagem mais fina, borda óssea irregular, espaço entre os ossos reduzido. Radiografia de pé e tornozelo mostra artrose em boa parte das pessoas depois dos 50 anos, com ou sem sintoma. A relação entre o quanto aparece na imagem e o quanto dói é bem mais frouxa do que a palavra sugere.
Inflamação de uma bursa, a bolsinha de líquido que fica entre osso e tendão para reduzir atrito. No pé aparece com mais frequência atrás do calcanhar e entre as cabeças dos metatarsos. O laudo costuma registrar líquido a mais dentro da bursa ou parede espessada.
Cavidade preenchida por líquido logo abaixo da cartilagem. Costuma andar junto com artrose e surge na imagem como uma mancha arredondada dentro do osso. Geodo é outro nome para a mesma coisa.
União anormal entre dois ossos do retropé, por osso, cartilagem ou tecido fibroso, presente desde o nascimento. Muita gente descobre por acaso, num exame pedido por outro motivo. Quando dá sintoma, costuma ser rigidez do retropé e entorses de repetição que começam na adolescência.
Descreve cartilagem que perdeu espessura ou ficou irregular. O laudo às vezes traz uma graduação de I a IV, do amolecimento discreto até a área em que o osso ficou exposto. É a mesma linguagem usada em joelho, e aqui vale o mesmo aviso: o grau descreve o tecido, não o tamanho do problema.
Palavra que o radiologista usa quando o osso fraturado está colando de volta. "Sinais de consolidação" quer dizer que já existe calo ósseo se formando. "Fratura consolidada" quer dizer que o traço fechou, e às vezes é de uma fratura antiga que a pessoa nem lembra de ter tido.
A almofada de gordura sob o calcanhar, aquela que amortece cada passo. O laudo pode descrever afilamento ou alteração de sinal nessa camada. Ela fica mais fina com a idade, e isso sozinho não explica uma dor.
Descreve um tendão com mais água e menos fibra organizada do que o normal. A ressonância enxerga isso como área de sinal mais claro dentro do tendão. O nome soa gravíssimo e assusta quase todo mundo que lê, mas é o achado mais comum em tendão de adulto, inclusive em quem nunca teve queixa.
Líquido a mais dentro da articulação. Quantidade pequena no tornozelo é vista com frequência em exame de gente sem sintoma nenhum. O laudo costuma classificar em discreto, moderado ou acentuado, e é esse adjetivo que dá a dimensão da coisa.
Recurso do ultrassom que mostra fluxo de sangue, normalmente em vermelho e azul na tela. No pé serve para ver se um tendão ou uma bursa tem vasos a mais, sinal de tecido em atividade ou em reparo. Também é usado para checar a circulação, o que pesa bastante no acompanhamento de quem tem diabetes.
Aumento de líquido dentro da medula do osso, que a ressonância mostra como área mais clara em certas sequências. Não é fratura nem infecção por definição. Pode aparecer depois de sobrecarga, de um entorse, junto com artrose ou depois de uma mudança recente de treino. É um dos termos que mais assusta pelo nome e um dos que mais dependem do contexto para significar alguma coisa.
Osso novo que cresce exatamente onde um tendão ou ligamento se prende. O esporão de calcâneo é o exemplo mais conhecido. A ponta segue a direção da tração e fica dentro da inserção do tecido, apesar de quase todo desenho na internet mostrar um espinho furando a sola do pé.
Alteração no ponto em que o tendão encontra o osso, a chamada entese. Costuma vir descrita com espessamento, irregularidade da borda óssea ou edema ali perto. No pé aparece bastante no calcâneo, tanto na inserção do Aquiles quanto na da fáscia plantar.
Medida da espessura da fáscia perto de onde ela se prende no calcâneo. Acima de 4 mm costuma ser relatado como espessamento, e esse é um dos poucos números que os laudos de pé trazem com alguma padronização. A medida ajuda a acompanhar a evolução ao longo do tempo, mas não conta sozinha o que o exame físico conta.
Projeção óssea embaixo ou atrás do calcanhar, visível no perfil do raio-X. Está presente em muita gente que nunca sentiu dor, e a ausência dele não descarta dor nenhuma. Ele acompanha o quadro com muito mais frequência do que o causa.
Quando a imagem mostra a fáscia espessada e com estrutura alterada perto do calcâneo, o laudo às vezes já usa esse nome. Só que o diagnóstico é clínico: a dor nos primeiros passos da manhã pesa mais na conversa do que a espessura medida. Fasciopatia seria um nome mais preciso, porque o tecido costuma estar degenerado e não inflamado no sentido clássico.
Trinca fina que aparece quando o osso recebe carga repetida além do que consegue recuperar entre um treino e outro. No raio-X inicial ela costuma passar despercebida e só fica visível semanas depois, quando o calo ósseo se forma. A ressonância enxerga antes, e é por isso que às vezes o primeiro exame vem normal e o segundo não.
Sinônimo de cisto subcondral, mais usado em laudo de raio-X. É a cavidade arredondada dentro do osso, logo abaixo da cartilagem, quase sempre acompanhando um quadro de artrose.
Nome técnico do joanete: o dedão desviado para fora e a base do primeiro metatarso projetada para dentro. O raio-X mede esse desvio em graus. Grau da medida e tamanho do incômodo caminham juntos com menos frequência do que se imagina.
Descreve tecido sendo pinçado entre duas estruturas durante o movimento. No tornozelo o laudo costuma especificar impacto anterior, posterior ou sindesmótico. Faz mais sentido quando bate com o momento exato do movimento em que a dor aparece, e menos quando aparece isolado no papel.
Área em que a cartilagem e o osso logo abaixo dela sofreram junto, quase sempre no domo do tálus e quase sempre depois de um entorse. O laudo gradua conforme o fragmento esteja apenas amolecido ou já solto. Lesões pequenas são encontradas anos depois do trauma em gente que voltou a jogar bola sem reclamar de nada.
Parte das fibras do tendão ou do ligamento perdeu continuidade, mas a estrutura segue inteira. É diferente de ruptura completa, em que as duas pontas se separam. A palavra "lesão" assusta, e ela cobre um intervalo enorme: de algumas fibras até quase toda a espessura.
A parte de dentro do osso, que a ressonância enxerga bem e o raio-X não. Frases como "alteração de sinal na medula óssea" são a forma como o radiologista registra que ali há mais líquido ou mais gordura que o esperado. Sozinha, a frase não separa sobrecarga de artrose nem de uma contusão antiga.
Vasos novos crescendo dentro de um tendão, vistos no Doppler como pontinhos coloridos. Aparece em tendão que está em processo de reparo e é comum no Aquiles de corredor. A quantidade de vasos acompanha mal a quantidade de dor.
Espessamento do nervo entre as cabeças dos metatarsos, mais frequente entre o terceiro e o quarto dedo. Apesar do nome, não é tumor: é tecido fibroso em volta do nervo. O ultrassom encontra esse espessamento também em pés sem sintoma, então ele conversa com o exame físico em vez de decidir sozinho.
Ossinho extra atrás do tálus, presente numa parcela da população desde o nascimento. Na maioria das pessoas ele nunca dá notícia. Em quem faz muito movimento de ponta, como no balé e no futebol, às vezes entra na conversa sobre dor na parte de trás do tornozelo.
Borda óssea nova que a articulação forma nas margens em resposta a anos de carga. É primo do entesófito, só que nasce na margem articular e não no ponto de fixação do tendão. Ver osteófito num laudo de pé depois de certa idade é quase o esperado.
Arco mais alto que a média, medido em radiografia com o pé apoiado. O laudo pode citar ângulos com nome próprio, como o de Meary. Formato de arco é característica, não defeito: o que muda a conversa é a carga concentrada gerando calo, dor ou entorse repetido.
Arco baixo ou ausente no apoio, muitas vezes com o retropé desviado para fora. Um monte de gente vive a vida inteira com pé plano e sem queixa nenhuma. O laudo descreve geometria; o que costuma pesar é dor, rigidez ou um pé que mudou de formato recentemente.
O estágio anterior à fratura por estresse: o osso está sobrecarregado e com edema na medula, mas ainda sem traço de fratura. Aparece com frequência em quem aumentou volume de treino depressa. A ressonância detecta, o raio-X quase nunca.
No raio-X não se vê cartilagem, só o vão entre um osso e outro. Quando esse vão diminui, o radiologista deduz que a cartilagem afinou. É um dos sinais clássicos de artrose e, como os outros, aparece bastante em quem não sente nada.
Perda de continuidade das fibras. O laudo separa parcial de completa, e essa distinção muda bastante o significado da frase. Ruptura completa costuma vir junto de retração das pontas e de uma alteração que o exame físico percebe, o que raramente passa em branco.
Quer dizer que o radiologista não encontrou nada que mereça destaque para a pergunta que o pedido fez. Não é o mesmo que "você não tem nada". Boa parte da dor no pé vem de tecido que a imagem enxerga mal ou de sobrecarga que não deixa marca. Exame limpo com dor real é uma combinação comum, não uma contradição.
Irritação dos dois ossinhos que ficam sob a cabeça do primeiro metatarso e funcionam como polia do dedão. O raio-X pode mostrar esclerose ou fragmentação nessa região. Parte da população já nasce com um sesamoide dividido em dois, o bipartido, e essa variação se confunde com fratura na imagem.
Área que aparece mais clara na ressonância em determinada sequência, quase sempre porque tem mais água ali. A palavra descreve brilho na imagem e nada além disso. O que produziu aquele brilho, se foi sobrecarga, inflamação ou tecido em reparo, a ressonância sozinha não conta.
O contrário: área mais escura na imagem. Costuma corresponder a tecido fibroso, calcificação ou osso denso. Tendão saudável é escuro em quase toda sequência, então hipointenso ali é exatamente o que se espera ver.
A membrana que forra a articulação por dentro ficou mais espessa e mais ativa. Costuma vir acompanhada de derrame articular no mesmo laudo. Aparece depois de trauma, junto com artrose ou em doenças reumatológicas, e é o quadro clínico que separa uma coisa da outra.
Perda parcial do encaixe entre dois ossos, sem separação completa. Luxação seria o desencaixe total. Nos dedos aparece com frequência junto de dedo em garra ou de hálux valgo mais avançado.
São dois, o curto e o longo. Correm por trás do maléolo externo e seguem para a lateral do pé. Laudo de dor na borda de fora costuma comentar tenossinovite, fenda longitudinal ou luxação desses tendões. A fenda fina no fibular curto é achado frequente e nem sempre tem relação com o sintoma.
Passa por dentro do tornozelo e é o principal sustentador do arco em movimento. Quando o laudo descreve espessamento, líquido em volta ou fenda longitudinal aqui, costuma haver queixa na face interna do tornozelo. É um dos poucos tendões do pé em que alteração de imagem e sintoma andam razoavelmente juntos.
Termo atual para tendão com estrutura alterada: fibras desorganizadas, espessamento, às vezes vasos novos. Substituiu "tendinite" porque, na maioria dos casos crônicos, o que se encontra no tecido é degeneração e não inflamação clássica. A troca de nome não mudou o quadro, só passou a descrevê-lo melhor.
Líquido ou espessamento na bainha que envolve o tendão, e não no tendão em si. A diferença importa: a estrutura que carrega a força pode estar íntegra. É comum nos fibulares e no tibial posterior, sobretudo depois de aumento de caminhada ou de um calçado apertando o tornozelo.
Cada exame responde a uma pergunta diferente
O mesmo pé pode ter três laudos com palavras completamente diferentes, e nenhum deles está errado. O raio-X enxerga osso, alinhamento e espaço articular, e é o único que costuma ser feito com você em pé, apoiando peso. O ultrassom acompanha o tendão em movimento e compara um lado com o outro na hora do exame. A ressonância é a única que vê dentro do osso e nos tecidos mais profundos.
Se você chegou aqui por uma dor específica e não por uma palavra do laudo, o mapa do pé parte da região que incomoda, e o guia de sintomas cruza onde dói, o que você sente e quando aparece.
- Dor depois de trauma com impossibilidade de apoiar o pé.
- Ferida que não cicatriza, vermelhidão que se espalha ou febre junto.
- Perda de sensibilidade, principalmente em quem tem diabetes.
- Um pé que mudou de formato em poucos meses, sem explicação.
Perguntas frequentes
O laudo do exame é o meu diagnóstico?
Não. O laudo descreve o que aparece na imagem. Quem junta essa descrição com o exame físico, a sua história e o momento em que a dor aparece é o profissional que te avaliou pessoalmente. Imagem e sintoma combinam bem menos do que a maioria das pessoas espera.
Por que meu exame veio normal se eu sinto dor?
Nem tudo que dói deixa marca visível. Sobrecarga muscular, dor referida de outro ponto e nervo sensibilizado não aparecem em raio-X nem em ultrassom. Exame limpo com dor real é uma situação comum no consultório.
Achei uma palavra assustadora no laudo. Isso é grave?
A palavra que assusta costuma ser técnica, não uma sentença. Degeneração, lesão parcial e edema aparecem em exames de gente que corre, joga bola e não sente nada. O peso de cada achado depende do contexto clínico, e é isso que a consulta resolve.
Ressonância é melhor que raio-X e ultrassom?
Melhor para quê. O raio-X mostra osso, alinhamento e espaço articular, e é o único que costuma ser feito com o pé apoiando peso. O ultrassom vê tendão em movimento e permite comparar com o outro lado na hora. A ressonância enxerga dentro do osso e os tecidos profundos. Cada um responde a uma pergunta diferente.
Se o laudo mostra esporão, o esporão é a causa da dor?
Quase nunca sozinho. Esporão de calcâneo aparece em muita gente que nunca sentiu dor no pé e falta em muita gente que sente. Ele acompanha o quadro com mais frequência do que o provoca.